Escola
para pequenos
"A pessoa criativa tem que eliminar todos os deves e não-deves. Ela precisa de liberdade e de espaço, muito espaço; ela precisa do céu inteiro e de todas as estrelas que existem nele. Só assim sua espontaneidade pode começar a florescer."
e não só




Uma nova forma de ver a escola
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Publicações
 
Relatório de Formação
Atenda-se dois pontos fortes do paradigma de formação deste curso os que dizem respeito quer à articulação entre as suas componentes teóricas e práticas, quer à iniciação à escrita, através de uma indagação da sua dificuldade constitucional, ou seja, à dificuldade intrínseca a todo o projeto do humano e, em especial, aos constrangimentos com que se depara esse projeto humano que reside em educar.
 
Ao longo da formação, os formandos foram incitados a envolver-se progressivamente numa dupla perspetiva da ação formativa: por um lado, os formandos são não só convidados a acotiarem as suas convicções prévias, as suas teorias implícitas relativamente à educação, como são urgidos a confrontar essas suas conceções com as dos seus pares, com as das formadores e ainda com a tradição científico-pedagógica, isto é, com os conhecimentos que legámos dos distintos autores das ciências da educação; por outro lado, os formandos são acompanhados pelas formadoras na perspetivação das ingerências educativas que irão desenvolver nas aulas.
 
Esta consideração prospetiva, realizada durante as formações, abrange concomitantemente uma importância relativa aos saberes teóricos emergentes das ciências e uma importância relacionada com saberes práticos expostos antecipadamente; por outro lado ainda, durante as formações, os formandos participaram na coo-construção de saberes teóricos e práticos, quer através da ação direta, quer durante as reuniões de grupo com os seus pares e com a equipa de formadoras que ministram a formação.
 
Estes mecanismos de formação têm uma dupla função de “acompanhamento” e de regulação da formação. O Projeto Pedagógico que os formandos são solicitados a realizar, ao longo das sessões, no âmbito de um projeto pedagógico e investigação, é um instrumento privilegiado de regulação do processo de formação, pois materializa todo um processo formativo.
 
Este projeto supera a mera tarefa, estritamente académica, uma vez que os formandos são convidados a desenvolvê-lo em situações de exercício de aula, isto é, nos contextos institucionais diversificados onde realizam as suas atividades profissionais, circunstâncias relacionais em que os formandos têm que negociar não apenas significações e interpretações do ato educativo, mas também têm de se socorrer de ardis negociais do próprio poder, isto é, os formandos têm que negociar as suas crenças, as suas convicções, os seus valores, em torno de um projeto pedagógico que é a sua turma.
 
Fraseando Bell, J. (1993), trata-se de ir mais além da análise crítica das prescrições educativas e das frequentes deformações que elas sofrem durante o processo da sua tradução nas práticas educativas; é necessário que esta análise, seja complementada por uma reflexão pedagógica concebida enquanto inteligência das contradições educativas, enquanto discernimento das antinomias inerentes à cultura da educação (Bruner, 1996).
 
Esta é uma inquietação dos formadores que se faz notar ao longo de toda a formação, mas que adquire uma gradual pertinência e é objeto de uma sucessiva atenção e insistência por parte dos formandos ao longo da formação. O objetivo desta apreensão é o de estimular e proporcionar uma reflexão centrada no princípio segundo o qual, as tensões entre a teoria e a prática, as constrições decorrentes da dificuldade praticada pelo educador, ao tentar pôr em prática as suas convicções educativas, em vez de serem temidas pelos formadores por poderem lesar a ação educativa produzindo no seu interior um esvaziamento, são antes encaradas como características especificamente humanas, são vistas como intrínsecas à condição humana, na sua finitude, nas suas limitações internas. Trata-se então de realçar essas debilidades essenciais dos humanos cujo trabalho se situa, segundo a formulação de Bell, "numa história estranha, na qual seres frágeis se constroem um futuro incerto".
 
Os formadores da equipa do curso de formação atribuem a esta "infinita fragilidade" um valor específico da pedagogia, "o verdadeiro valor específico da pedagogia" (idem). Segundo este ponto de vista, a dificuldade inerente ao ato educativo e à construção de uma identidade profissional deve ser compreendida como uma oportunidade formativa que "só se torna inextricável, leia-se mortífera, na medida em que nos recusemos a reconhecê-la" (idem.). Trata-se, portanto, não só de reconhecer essa dificuldade, como de fazer o seu elogio de modo a permitir que ela se torne num objeto digno de atenção, um objeto de estudo que confira dignidade à profissão de ser professor.
 
O tema de trabalho em processo formativo, escrita criativa, para Santos e Serra (2007) “é a forma como se escreve que é mais desembaraçada, mais livre e mais criativa”, quando é feita em grupos ou em grande grupo, as crianças aprendem a partilhar experiências e a debater ideias, este é, segundo a minha apreciação, o principal objetivo da escrita criativa, é criar o gosto e prazer pela escrita.
 
Segundo Santos e Serra (2007), a Escrita Criativa, faz-se saindo de caminhos habituais e experimentando outras soluções. Deve-se procurar utilizar vocábulos que não são utilizados regularmente, tempos verbais que excecionalmente são empregados, processos de construir frases díspares das habituais.
 
Para conceber textos criativos é fundamental que se aprenda a conhecer a sua própria criatividade, que se saiba reconhecer as suas situações de maior inspiração e que os empregue sempre que possível. Para desfrutar desses ápices necessitará andar sempre preparada com um lápis e um papel para os registar, e assim obter competências para desenvolver as suas capacidades.
 
Quando se trata da produção textual, existe um grande cuidado com a correção, atribuindo uma excessiva importância aos erros gramaticais. Na escrita criativa o mais relevante é que o aluno empregue um vocabulário diversificado, que explore e descubra novos percursos do seu imaginário. A fluidez, a flexibilidade, a elaboração e a originalidade, são os quatro principais critérios utilizados na avaliação da criatividade.
As atividades de Escrita Criativa que o professor proporciona, devem oferecer aos alunos momentos de estimulação que os conduzam a ter vontade de escrever, usando diversas estratégias de ensino/aprendizagem.
 
Segundo Cardoso (2011), no momento em que alunos estão a efetuar os exercícios de Escrita Criativa, o professor deverá circular pela sala prestando uma atenção mais particularizada e desempenhar o papel de orientador situando questões de forma prudente a fim de estimular as ideias, ouvindo, ajudando e orientando. Essa diretriz é fundamental para o aluno confrontar as dificuldades e os estímulos mentais e chegar à resolução sozinho.
 
O professor deve transmitir aos alunos a ideia de que todos conseguem ser criativos, só têm que refletir sobre os temas, desenvolvê-los e executar as ideias e com trabalho e persistência, aperfeiçoarão as suas capacidades criativas (Matias, 2007).
 
Norton (2001) sugeriu dez regras que o professor deve ter em conta quando produz atividades de Escrita Criativa: conhecer o processo a fundo e tê-lo experimentado pessoalmente; esclarecer as vantagens e objetivos do método; fazer - rápidos, variados, moderados, inteligentes - comentários; manter a organização com equilíbrio, tempo, ordem e disciplina; relacionar-se bem com as pessoas, com atenção, respeito, humor e cordialidade; falar com clareza e rapidez; possuir certa cultura literária e também geral; possuir alguma experiência na direção de grupos; ter entusiasmo e convicção e ser imaginativo.
 
O aluno encontra muitas distrações que o distanciam do pensamento criativo, como o cinema, a televisão, os jogos interativos, entre outros e, naturalmente, deixa de ter tempo livre para exprimir a sua criatividade. A presença destas experiências são sempre uma fonte de inspiração, tudo o que o aluno experimenta no seu dia-a-dia torna-o bem informado, mas o que o que se constata é que, por vezes, ele não consegue transferir todo esse “saber” para a escrita criativa, e assim, muitas vezes ele é mais reprodutor que produtor. O aluno criativo faz a ligação entre diversas áreas do saber para encontrar soluções novas, imaginativas e diferentes. Gosta de desafios e está sempre concentrado a receber novidades que possam aparecer.
 
Um ambiente favorável, com silêncio ou com música gera uma atmosfera calma; ter à mão muitos elementos de suporte, como livros, objetos, pinturas, etc., são requisitos que despertam o aluno para a criatividade. Facultar situações de aprendizagem estimula o aluno e desenvolve aptidões escondidas que se revelam através de debates, de projetos, de leituras ou de pesquisas (Matias, 2007).
 
O que pretendeu com o trabalho final foi a inclusão do ver, ouvir, olhar e saborear como explorações para que os alunos obtenham informações. As capacidades (inteligência, sociocultural e sentidos) fazem parte desse percurso e, quando estimuladas, são transferidas para processo criativo. A informação que nos chega através dos sentidos manifestam-se em: sensação, perceção, sentimentos e emoção.
 
A Sensação é compreendida pela impressão que o sujeito recebe do seu mundo exterior e do seu meio ambiente.
 
A Perceção é uma atividade que o organismo realiza para extrair informação, o pensamento de perceber, aqui entendido como um processo mental de relação ativa com o mundo.
 
O Sentimento é definido como o guia interior que gera o estado de espirito ou disposição afetiva, especialmente de agrado ou desagrado em relação a pessoas, objetos, atitudes e opiniões.
 
A Emoção é um estado de movimento, excitação ou comoção de uma ou outra forma que implica sensações, sentimentos e impulsos, reações físicas e fisiológicas.
 
Foi observável que se os professores estimularem os alunos e levá-los a pensar, a refletir e a criar projetos. A partilha de produções e a discussão de ideias sobre temas variados é importante para se fortalecerem novas ideias, desenvolver a imaginação e a criatividade.    
 
O presente trabalho teve como objetivo observar as diferentes atividades deste plano de ação. Este visa mostrar que a prática da escrita deve estar sempre ligada a situações de prazer, de reforço e de autoconfiança, através de atividades lúdicas, recorrendo a estímulos auditivos, visuais e outros.
 
Era nosso propósito analisar/observar a capacidade da criança ao formular novas ideias, novas contendas e novos procedimentos de encarar e resolver os problemas, viabilizando circular livremente entre as aprendizagens informais e as formais. Desse modo a escrita, proporciona momentos muito expressivos, permitindo que a criança transmita a sua maneira de pensar, a sua identidade, relevando os saberes adquiridos. (Pereira 2008:17).
 
As maiores dificuldades foram sentidas na decisão sobre a escolha dos critérios para validar os textos dos alunos, uma vez que a literatura é muito divergente e pouco assertiva quanto às formas de avaliar as competências criativas na escrita. Estas dificuldades foram resolvidas com a opção considerada mais adequada e quantificável para avaliar os textos (Baixo; Médio; Elevado).
 
Os resultados gerais obtidos foram positivos, ou seja, podemos dizer que os estímulos auditivos, visuais e outros promovem e desenvolvem a Escrita Criativa. No geral, o somatório dos níveis médio e elevado foi superior ao do nível baixo.
 
Foi percetível a evolução dos alunos ao nível da criatividade escrita, que era esse o objetivo, mas também foi notória uma evolução noutras competências como na produção de textos mais extensos, com menos erros, mais coerentes e melhores ao nível da sequência lógica da narrativa das suas histórias.
 
Podemos dizer que é bastante vantajoso utilizar estratégias com estímulos diversificados e articular a Escrita Criativa com as outras áreas disciplinares nomeadamente nas atividades de expressão plástica/ dramática/ musical. Aí o aluno manipula o material e constrói uma personagem, atribui-lhe um nome, características físicas e psicológicas e seguidamente escreve a história dessa personagem.
 
Este trabalho contribuiu para nos sensibilizar, a nós enquanto profissionais da educação para atividades deste género, que nos permitem dar a conhecer novos contornos e formas de promover os conhecimentos e competências dos nossos alunos, de uma maneira mais eficaz e igualmente rigorosa.
 
 
 
Bibliografia consultada:
 
Bell, J. (1993). Como Realizar um Projecto de Investigação. Lisboa: Gradiva.
 
Caetano, R. (2010). Criatividade e resolução de problemas - metodologia projectual. Obtido em 25 de 02 de 2012, de http://www.youblisher.com/p/73659-Criatividade-Manual
 
Matias, J. (26 de 01 de 2007). Como desenvolver a criatividade. Obtido em 15 de 12 de 2015, de Página Pessoal de José Matias: http://www.josematias.pt/TemasTecnodid/DesenvolverCriatividade.pdf
 
Norton, C. (2001). Os mecanismos da escrita criativa. Lisboa: Temas e Debates
 
Pereira, L. Á. (2008). Escrever com as crianças, como fazer bons leitores e escritores. Porto: Porto Editora.
"Basta perceber, sentir que tudo o que sabemos  ouvimos, não sabíamos. O que lemos, ainda não percebemos. Não é uma revelação para nós, é um condicionamento á mente. Ensinaram-nos mas não aprendemos. A verdade não pode ser ensinada. A verdade é uma experiência direta."
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